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Avaliação em Contextos de Aprendizagem – Reflexão Final

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Tema 1: Avaliação Pedagógica – Atuais perspetivas

No primeiro tema, foi-nos solicitado que lêssemos um texto de Jorge Pinto – “Avaliação em Educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas” – e que apresentássemos duas ideias fortes do texto, a que se seguiria um debate das ideias entre a turma. O que mais me captou a atenção neste tema foi o próprio texto de Jorge Pinto, que focava vários aspetos importantes da avaliação, acompanhados de pontos de vista muito interessantes. Também gostei da nuvem de palavras construída pelo colegas Pedro Ribeiro, na qual apareciam destacadas as palavras mais utilizadas no debate sobre as ideias mais relevantes do texto em análise. Uma das dificuldades foi não ter conseguido comentar as ideias de todos os elementos da turma. Ainda assim, penso ter lido a grande maioria das ideias escolhidas por parte dos meus colegas.

Tema 2: Avaliação pedagógica Digital em Contextos de Elearning

Na segunda atividade, após constituição de um grupo, foi proposta a leitura e análise de 3 textos (entre 4 possíveis). O objetivo deste tema consistiu na elaboração de uma apresentação que sintetizasse “as especificidades da avaliação em contextos de Elearning e as grandes linhas de força que emergem dos 3 textos, com especial destaque para o texto” escolhido como principal pelo grupo. Posteriormente, os trabalhos apresentados pelos 3 grupos foram debatidos por todos os estudantes.

Na realização da apresentação tive a sorte de colaborar com a Ester Saraiva e o Pedro Ribeiro, que mais do que bons colegas, mostraram ser também bons amigos. Sempre prontos a labutar, fomos sempre trabalhando regularmente e, após correção da apresentação com base nas sugestões que nos foram dadas pelas professoras, desenvolvemos, a meu ver, uma boa apresentação final.

Uma dificuldade que me acompanhou ao longo da UC foi a citação e o uso de referências. Para mim, nesta segunda atividade ainda não era claro que as normas a usar seriam as normas APA. Na minha opinião, seria benéfico que nos próximos anos apresentassem estas normas aos estudantes e que fizessem um pequeno exercício para treinar o seu uso, de modo a evitar erros futuros. Esta questão é transversal a todo o mestrado em Pedagogia do eLearning e não aplicável apenas à UC de Avaliação em Contextos de eLearning.

Tema 3: Instrumentos de Avaliação Pedagógica em Contextos de Elearning

A terceira tarefa compreendia duas etapas. Na primeira, tivemos de pesquisar e analisar um caso real de uma situação de avaliação com recurso a tecnologias digitais, preenchendo um formulário com os detalhes subjacentes. No meu caso, uma das dificuldades prendeu-se com o facto do exemplo de avaliação descrito já ter sido elaborado há alguns anos e não haver informação muito específica aquando do preenchimento de alguns campos do formulário.

Na segunda etapa, realizada em grupo, tive o prazer de trabalhar com o Paulo Chissico e com o Pedro Ribeiro. Selecionámos um dos casos de avaliação descrito por um dos elementos (Paulo Chissico) e criámos um artefacto digital focando os traços do processo avaliativo subjacente, nomeadamente as características, potencialidades e limitações da estratégia digital utilizada. Apesar de termos elaborado um bom trabalho acerca das particularidades dos e-Portefólios, não o aplicámos convenientemente na análise ao caso descrito pelo colega Paulo, por não termos percebido que tal era para ser feito. Talvez as indicações pudessem ser um pouco mais claras, mas assumimos a falha do grupo.

Tema 4: Avaliação Pedagógica num Contexto Online

No quarto e último tema, o objetivo foi a definição de um módulo de formação com especial relevo para o plano de avaliação, com as atividades e procedimentos preparados para o efeito. Repetindo o grupo do tema anterior, este foi o trabalho mais entusiasmante da UC, uma vez que elaborámos um processo de avaliação adequado a um curso de Física sobre a Luz. Além do facto da Física ser um tema de interesse, criar um curso e os respetivos momentos de avaliação foi simultaneamente desafiante e aliciante. Foi importante ter em mente que os instrumentos de avaliação devem ser diversificados, no sentido de avaliar diferentes competências. Também foi bastante enriquecedor ler as sugestões da professora Elizabeth e da colega Célia.

Apreciação final: De um modo geral, gostei bastante do formato da UC de Avaliação em Contextos de eLearning, no sentido em que pude colaborar em 3 das 4 tarefas com outros colegas, e nas quais o colega Pedro Ribeiro foi uma constante. Aprende-se bastante a trabalhar com outras pessoas e isso acontece mais facilmente quando temos um objetivo comum e assumimos um compromisso, como foi o caso dos trabalhos de grupo. Um aspeto menos positivo da UC é ser-nos solicitada a intervenção crítica nos trabalhos dos outros grupos. Pessoalmente, não me sinto muito confortável em tecer comentários ao trabalho dos colegas e julgo que isto desencadeou um mau ambiente entre os colegas de mestrado. Sei que sairei prejudicado por não ter feitos grandes comentários ao trabalhos dos outros grupos, mas foi uma decisão consciente. Sinto que a avaliação a pares e a auto-avaliação, importantes no processo de avaliação e no desenvolvimento da capacidade crítica, funcionaram bastante bem nesta UC e constituem outro aspeto positivo. A maior dificuldade que tive ao longo do semestre, e nesta UC particularmente, foi a gestão do tempo. Um malabarismo de biberões, mestrado e preparação de aulas (pela primeira vez)…

Processos Pedagógicos

O meu PLE (Personal Learning Environment)

Stephen Downes explora no seu vídeo “LMS vs PLE” as diferenças entre um Sistema de Gestão de Aprendizagem (do inglês Learning Management System, LMS), também conhecido por Ambiente Virtual de Aprendizagem (Virtual Learning Environment, VLE), e um Ambiente Pessoal de Aprendizagem (Personal Learning Environment, PLE). A maior divergência entre os dois sistemas é aquilo que assumem que está no centro do processo de aprendizagem. No LMS/VLE há um repositório centralizado de serviços e conteúdo que os utilizadores acedem e a partir do qual obtêm conteúdo (Downes, 2012). Além disso, os utilizadores podem realizar atividades e estabelecer interações síncronas e assíncronas, como participar em debates ou fazer conferências. Temos como exemplos de LMS/VLEs o Moodle, Blackboard, Desire2Learn, Saba, etc. A aprendizagem que ocorre no Mestrado em Pedagogia do eLearning da Universidade Aberta assenta neste sistema centrado num portal institucional, no qual os alunos entram e têm acesso a conteúdos sobre este tema. Por oposição, o PLE não coloca um software no centro, tendo antes um modelo que assume como peça central o indivíduo, que acede a serviços e conteúdo a partir de diferentes locais na rede (Downes, 2012). O indivíduo ainda pode aceder ao LMS, mas também acede a outras aplicações (Facebook, Skype, Spotify, Google Docs, YouTube, WeTransfer, etc.). Resumindo, pode aceder a qualquer coisa, a partir de qualquer lugar. Segundo Downes, a diferença é clara entre os dois sistemas, o LMS é centralizado e o PLE é descentralizado. De acordo com Mota, os VLEs promovem uma experiência isolado do mundo, ao passo que os PLE permitem ao estudante conjugar experiências em diferentes contextos (Mota, 2009). Isto permite criar uma ponte entre as aprendizagens formais e informais, com vista a uma aprendizagem ao longo de toda a vida.

Com esta afirmação gostaria de mostrar-vos o meu PLE:

O meu PLE

No meu PLE, surgem muitas aplicações relacionadas com um dos meus maiores hobbies: tocar piano. Não há dia em que não ouça música, e daí ter incluído o YouTube, iTunes, Spotify e Shazam. As três primeiras permitem-me ouvir música, sendo que o YouTube permite a visualização de vídeos no geral, não se limitando apenas à esfera da música.

Também crio imagens frequentemente, por exemplo para apresentações que mostro durante as aulas de Físico-Química ou para os vídeos que carrego no YouTube, e portanto não podia deixar de fora o Paint e o Paint.NET. Para a criação/edição de vídeo e áudio utilizo o iMovie e o Audacity. Para transferir vídeos e outros ficheiros, utilizo o WeTransfer, ferramenta muito útil quando é necessário enviar ficheiros com um tamanho grande. Acabo por usar maioritariamente o Google como motor de busca, e também muitas aplicações desta empresa: Google Drive, Google Docs, Google Calendar, etc. Na criação de ficheiros de vários tipos (escrita, cálculo, apresentação, etc.), utilizo maioritariamente as ferramentas do Office, embora também use por vezes os LibreOffice. Para mais facilmente citar outros autores (algo que tem acontecido com bastante frequência nos trabalhos de mestrado), faço-me acompanhar pelo fabuloso Zotero Standalone. Acedo ao mail através do Outlook e do Gmail e publico os meus trabalhos escritos do mPeL no meu blog, através do software WordPress.

Relativamente às redes sociais – ou como gosto de lhes chamar, “redes PAC-MAN”, por nos comerem tempo útil -, utilizo o Facebook e o Instagram, para enviar mensagens e ficheiros de vários formatos o WhastApp e o Messenger, e num contexto profissional o LinkedIn.

Através da NETFLIX posso assistir a alguns documentários interessantes, além de ver filmes e séries. Para ficar a saber um pouco mais sobre filmes/livros – classificações e comentários -, nada melhor que o IMDb e o goodreads.

É a partir do meu telemóvel e do meu computador que acedo a estas ferramentas, sendo o uso destes aparelhos uma constante no meu quotidiano.

Fazem parte do meu ambiente pessoal de aprendizagem as pessoas que interagem comigo, uma vez que aprendo com elas, e que muitas vezes contribuem, através das suas sugestões, para o alargamento do conjunto de aplicações do meu PLE. Cada uma destas pessoas, tem o seu próprio PLE.

Referências Bibliográficas:

Downes, S. (2012). “LMS vs PLE” [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=zDwcCJncyiw

Mota, J. (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discusssão do conceito. [Artigo]. Educação, Formação e Tecnologia, 2(2), 17.

Bibliografia anotada sobre “Personal Learning Environments”

Zubrinic, Krunoslav, Kalpic, Damir. The Web as Personal Learning Environment. International Journal of Emerging Technologies in Learning, 2008.

Neste artigo, Zubrinic e Kalpic descrevem um conjunto de recursos disponíveis na rede, que podem ser utilizados no processo de “aprendizagem pessoal” (Personal Learning), isto é, a aprendizagem gerida pelo próprio, com vista ao enriquecimento pessoal. Posteriormente, referem-se aos ambientes que conjugam esses vários recursos, facilitando a aprendizagem pessoal e alicerçando-se na comunicação e cooperação com uma comunidade aprendente, que são designados por “ambientes pessoais de aprendizagem” (Personal Learning Environments – PLEs), seguindo-se a proposta de um modelo de PLE com base em serviços sem custo disponíveis na rede (Web 2.0).

A escrita é muito objetiva, ponderada e bem fundamentada. Quer os recursos, quer os ambientes que os conjugam, enumerados pelos autores são variados e acompanhados de uma breve descrição que possibilitam ao leitor ter uma ideia do funcionamento e dos objetivos específicos de cada um deles. As figuras apresentadas permitem sistematizar a informação, tornando mais fácil a compreensão global de um modelo conceptual de PLE com base em ferramentas da Web 2.0 e a relação do utilizador e da comunidade com estes.

Disponibilizado por Pixabay

Alharbi, Mafawez, Platt, Amelia, Al-Bayatti, Ali. Personal Learning Environment. International Journal for e-Learning Security, 2013.

No artigo supramencionado, Alharbi, Platt e Al-Bayatti começam por abordar os “ambientes virtuais de aprendizagem” (Virtual Learning Environments – VLEs), que pelas suas limitações deram origem aos “ambientes pessoais de aprendizagem” (Personal Learning Environments – PLEs). É feita a descrição da arquitetura de uma PLE proativa com sensibilidade ao contexto, com a capacidade de filtrar informação com base nas preferências do utilizador. Por último, propõe-se um modelo de “Redes Bayesianas” (Bayesian Networks).

Os assuntos abordados são corretamente contextualizados, sendo definidos os conceitos necessários para uma perceção com clareza. Além disso, há uma preocupação dos autores em descrever ao pormenor os temas abordados, enumerando, por exemplo, as várias componentes de um “motor sensível ao contexto” (Context-Aware Engine – CAE) e detalhando a função de cada uma delas. São ainda apresentadas figuras no sentido de permitir ao leitor compreender melhor a arquitetura de uma PLE, a relação – por vezes bastante complexa – entre os diversos elementos de um CAE e também a estrutura de “Redes Bayesianas”.

A pedagogia do eLearning e o papel do professor online

Os sistemas de educação a distância evoluíram através de três épocas de desenvolvimento educacional, social e psicológico, tendo sido desenvolvidas em cada uma delas pedagogias, tecnologias, atividades de aprendizagem e critérios de avaliação distintos (Anderson & Dron, 2011). A primeira das três gerações de educação a distância ficou definida pelo uso de correspondência postal, à qual se seguiu uma segunda geração caracterizada pelos mass media da televisão, rádio e produção de filmes (Anderson & Dron, 2011). Com a terceira surgiram as tecnologias interativas como o áudio, texto, vídeo e a rede (Anderson & Dron, 2011). É difícil definir as gerações seguintes, podendo referir-se que estas incorporam a Web 2.0 e bases de dados inteligentes, acrescentando ainda mais possibilidades à educação pautada pela distância (Taylor, 2001). É importante salientar que nenhuma destas gerações foi eliminada com o tempo, tendo cada uma delas “construído” as bases para a geração seguinte (Anderson & Dron, 2011). Desta forma, a educação a distância como a conhecemos hoje depende de todas essas gerações. À medida que as tecnologias foram evoluindo, foi possível explorar diferentes aspectos do processo de aprendizagem (Anderson & Dron, 2011). Dependendo das pedagogias em questão, são aplicados diferentes tipos de conhecimento, aprendizagem e contextos, o que exige que um conhecimento vasto dos educadores à distância, para poder usar o que tem ao seu dispor (Anderson & Dron, 2011). Entre os diferentes tipos de pedagogias, destacam-se a cognitivo-comportamental, a construtivista e a conectivista (Anderson & Dron, 2011).

Uma cada vez maior quantidade de informação disponível, bem como tecnologias cada vez mais avançadas, fazem da atualidade o melhor momento para o ensino à distância. Nem sempre é consensual qual deve ser a função do professor no eLearning. Os estudantes esperam poder aprender mais sobre as tecnologias com os professores no ensino online (Huang, 2018). Além disso, é fundamental que o professor apresente as temáticas a abordar na disciplina aos alunos desde o início do curso, bem como a respetiva calendarização e avaliação, propondo uma espécie de “contrato de aprendizagem”, sujeito à negociação face a eventuais sugestões dos estudantes. Cursos com uma estrutura bem delineada e objetivos bem claros promovem a colaboração entre pares e contribuem para uma atmosfera propícia à reflexão e criação de conhecimento (Duncan & Young, 2009). O docente deve ainda saber promover e gerir o debate entre os estudantes nas plataformas de aprendizagem, sabendo quando deve intervir e evitando estar sempre presente. Esclarecer algum conceito menos bem compreendido ou direcionar a discussão para outros assuntos são exemplos oportunos em que o professor deve interceder.

No eLearning, um dos desafios que pode surgir é o da criação de relações professor-estudante e estudante-estudante significativas (Duncan & Young, 2009). Por vezes também é difícil proporcionar um ambiente de aprendizagem motivador – algo com que já me identifiquei no decorrer do mestrado em eLearning. No entanto, nem sempre tem de ser assim, tal depende do que o professor partilha e quais os trabalhos que propõe aos seus alunos, que por vezes se coadunam com os interesses dos alunos. A flexibilidade é um aspecto importante a ter em conta, pois deve ser possível adaptar um curso aos diferentes estilos de aprendizagem dos estudantes (Duncan & Young, 2009). Para tal, o desenho dos materiais de aprendizagem, bem como as ferramentas tecnológicas usadas para fornecer os mesmos, assumem particular relevância.

Há muito que é reconhecido o papel importante que determinadas tecnologias assumem na disponibilização oportuna e eficiente dos materiais de aprendizagem (Anderson, 2008). No entanto, Clark (1983) defende que as tecnologias são apenas veículos para transmitir os conteúdos e não influenciam o sucesso de aprendizagem. De igual modo, Schramm (1977) refere que a aprendizagem é mais influenciada pelas estratégias de ensino e pelo conteúdo e não tanto pelo tipo de tecnologia usada para distribuir os materiais de aprendizagem. O meio – tecnologias – através do qual são enviados estes materiais assumem mais relevância para outros (Kozma, 2001).

Existem vários tipos de ensino e aprendizagem que dependem da Web e particularmente a Web Semântica 2.0 aumenta grandemente o número de possibilidades, pelo que Anderson (2008) refere ser difícil definir uma teoria única do ensino online. No entanto, está bem estabelecido que o ensino online será centrado no conhecimento, na comunidade, na avaliação e no aprendente.

Bibliografia:

1 – Anderson, Terry & Dron, Jon (2011). Three generations of distance education pedagogy. IRRODL.

2 – Taylor, J. (2001). Automating e-learning: The higher education revolution.

3 – Huang, Q (2018). Examining Teachers’ Roles in Online Learning. EuroCALL Rev. 26,3.

4 – Duncan, Heather & Young, Suzanne (2009). Online Pedagogy and Practice: Challenges and Strategies. The Researcher.

5 – Anderson, Terry (2008). Teaching in an Online Learning Context. In Anderson, Terry (Ed), Theory and Practice of Online Learning. Athabasca University: Au Press (2ª Edição).

6 – Clark, R. E. (1983). Reconsidering research on learning from media. Review of Educational Research, 53(4), 445–459.

7 – Schramm, W. (1977). Big media, little media. Beverly Hills, CA: Sage.

8 – Kozma, R. B. (2001). Counterpoint theory of ‘learning with media’. In R. E. Clark (Ed.), Learning from media: Arguments, analysis, and evidence (pp. 137–178). Greenwich, CT: Information Age Publishing Inc.

Processos Pedagógicos

Bibliografia anotada

Examining Teachers’ Roles in Online Learning” – Qiang Huang

Este artigo estuda a forma como 153 estudantes da universidade veem os papéis dos seus professores na sua aprendizagem online num curso híbrido de Inglês através de um questionário com 27 itens. Os dados indicaram que os três papéis – cognitivo, afetivo e de gestão – assumiam uma relevância bastante distinta para o aluno. O uso da tecnologia pelo professor na facilitação da aprendizagem, aqui inserido no papel cognitivo, também foi avaliado por alguns pontos do estudo, mostrando-se particularmente interessante no ensino online, onde os estudantes esperam poder aprender com o docente nesta matéria. O papel cognitivo revelou-se pouco importante na aprendizagem online, ao contrário do que acontece na aprendizagem tradicional. Relativamente ao papel afetivo do professor, foi destacada a função de promover o debate entre estudantes. No entanto este surge como o papel menos relevante no ensino online. O papel de gestão foi, dos três, o mais destacado, sendo dada particular importância à gestão das turmas, nomeadamente a nível da disciplina, manutenção de registos, regras e regulamentos para programação e planeamento. O artigo apresenta os dados com algum detalhe estatístico e faz uma análise bastante objetiva dos resultados.

Huang, Qiang. (2018). Examining Teachers’ Roles in Online Learning. The EuroCALL Review. 26. 3. 10.4995/eurocall.2018.9139.

Online Pedagogy and Practice: Challenges and Strategies” – Heather Duncan and Suzanne Young

Com este artigo pretende estudar-se quais os desafios dos professores no ensino superior em ambiente online. É feita inicialmente uma citação de Wheatley (2004), que diz que o Universo se expande à velocidade da luz e as civilizações ocidentais parecem estar a ser empurradas para a frente de modo a acompanhar este ritmo, uma metáfora hábil que traduz a dificuldade que muitas vezes enfrentamos com o rápido avanço das tecnologias. Um dos maiores desafios reportados é o de criar relações professor-estudante e estudante-estudante, bem como criar um ambiente de entusiasmo para todos os alunos. Cursos com uma estrutura bem delineada e objetivos bem claros promovem a colaboração entre pares e contribuem para uma atmosfera propícia à reflexão e criação de conhecimento. Uma cada vez maior quantidade de informação disponível, bem como tecnologias cada vez mais avançadas, fazem da atualidade o melhor momento para o ensino à distância. Os desafios encontrados pelos professores e as estratégias usadas pelos mesmos para os ultrapassar, isto é, as características necessárias para uma aprendizagem online de qualidade são aqui investigadas, sendo dado um ênfase à especial importância de adaptar um cursos a diferentes estilos de aprendizagem dos estudantes.

Duncan, Heather & Young, Suzanne. (2009). Online Pedagogy and Practice: Challenges and Strategies. The Researcher. 22. 17-32.

Materiais e Recursos para eLearning

O ensino na era digital: poderá a educação aberta ser tão estimulante quanto a educação presencial?

A educação aberta representa um conceito de educação mais abrangente, que apresenta a possibilidade de envolver num determinado curso um grande número de pessoas. Na verdade, como afirma Bornstein, este tipo de educação está cada vez mais presente nas nossas vidas, e não acontece somente em cursos mais formais1. Acontece também, por exemplo, nas nossas cozinhas, quando aprendemos a fazer um delicioso cheesecake através do YouTube.

Educação aberta não é necessariamente sinónimo de educação grátis, mas este conceito implica uma educação mais acessível, tanto do ponto de vista financeiro, como do ponto de vista académico. Assim, de um modo geral, as universidades abertas não requerem qualquer certificado ou background académico na admissão de novos estudantes2. Desta forma, mais pessoas terão acesso à educação e é facilitado o desenvolvimento de eventuais competências (skills) que se possam apresentar úteis ao longo da vida. Do ponto de vista económico, como são necessárias menos pessoas para gerir este tipo de educação, que ocorre normalmente em regime de educação a distância, seja em cargos de docência, secretaria, etc., os custos relativos à sua gestão e manutenção são consequentemente inferiores. Desta forma, é possível oferecê-los a preços significativamente mais baixos.

Tendo em conta os supramencionados argumentos, a educação aberta revela-se uma possibilidade bastante apelativa. Contudo, será esta educação tão estimulante como a educação presencial, que implica a reunião simultânea no mesmo espaço físico (sala de aula) de professores e alunos?! Listemos algumas das vantagens da educação presencial face à educação aberta, bem como algumas considerações respeitantes a esses tópicos:

  • Concentração: a atenção numa aula presencial não é perturbada por vários elementos distractores que estão presentes quando a aprendizagem é feita através do computador. Exemplos disso são os avisos de “novo email na caixa de entrada”, o multi-tasking entre o PDF da disciplina “X” e a música a tocar no YouTube, ou mesmo a campainha de casa a tocar quando o aluno estava empenhado na tarefa do curso em formato eLearning3. Apesar de ser evidente que este é um obstáculo no ensino a distância, acredito que possa ser ultrapassado através de um maior compromisso e sentido de responsabilidade do aluno a frequentar um curso online.
  • Prática: pensemos no caso em que a disciplina lecionada é uma disciplina de línguas. Após a aprendizagem de novos conhecimentos e vocabulário é útil poder treinar o diálogo e ter alguém que corrija os erros no momento. Isso acontece naturalmente numa educação presencial, sendo que o aluno beneficia tanto da orientação do professor como da opinião e ajuda de alguns colegas3. Mesmo sendo possível uma aproximação deste exercício via Skype, apenas será possível fazê-lo para um número reduzido de estudantes, que não é propriamente o caso típico em educação aberta. Contudo, podem criar-se cenários em eLearning em que se recorresse a alunos num nível mais avançado para ajudar outros aprendentes com maior dificuldade. Para isso, poder-se-ia incentivar esta dinâmica se parte da classificação da disciplina correspondesse a esta situação de peer coaching.  Outro caso em que é ainda mais importante o ensino presencial é o das aulas de instrumento musical. Muitas vezes, e principalmente numa fase inicial, o professor tem a necessidade de corrigir a postura e posicionamento dos dedos do aluno, algo que só é viável estando o professor fisicamente presente. O mesmo acontece na medicina, por exemplo nas especialidades cirúrgicas, em que a prática é de importância extrema. Considero que presencialmente esse trabalho será sempre feito com muito maior facilidade e qualidade.
  • Adequação: na educação presencial poderá ser mais fácil adequar os instrumentos de ensino às especificidades dos alunos. Será naturalmente mais fácil perceber quais são as dificuldades dos alunos em contexto de sala de aula3. Usando esta abordagem mais personalizada, em que se aplicam os conhecimentos a situações práticas de interesse dos alunos, talvez seja mais fácil conseguir que alguns deles consigam aprender mais facilmente determinados conteúdos, obtendo-se melhores resultados académicos. No entanto, creio que apenas numa situação de pouco compromisso por parte do aluno este não conseguirá ultrapassar certos obstáculos no ensino a distância. Através de locais destinados a eventuais dificuldades e dúvidas nos fóruns de cursos online, o aluno responsável conseguirá à partida resolver eventuais problemas que surjam no decorrer do processo de aprendizagem.

Em suma, há certas situações do ensino presencial que não serão passíveis de replicação na educação aberta. No entanto, combinando os inúmeros recursos que temos disponíveis nos dias de hoje e alguma criatividade, poucas serão as limitações do ensino a distância. Tendo como base algumas estratégias usadas por David Wiley, vemos que estes cursos têm, na verdade, enormes potencialidades4. Quando viu um número substancialmente elevado de alunos entrar no seu curso, de várias partes do mundo, colocou-os a comentar o trabalho dos seus colegas, conseguindo distribuir pelos estudantes um volume de trabalho bastante grande, que de outro modo teria imensas dificuldades em gerir. Desta forma foi possível obter, como refere David Wiley, perspectivas sobre determinados assuntos por parte de pessoas de diferentes países e culturas, o que tornou o curso bastante mais enriquecedor para os participantes4. Outro exemplo foi motivar esse grupo alargado premiando o melhor trabalho através da sua disponibilização num blog de uma amiga com grande visibilidade, obtendo desse modo resultados de grande qualidade.

Fred Mulder refere que o futuro do sistema de ensino passa pela educação aberta. Mas este sistema não segue um só caminho: haverá espaço para instituições com diferentes tipos de formatos, uns valorizando mais os recursos educacionais abertos (REAs) que outros, por exemplo. Os REAs são um dos 5 componentes compreendidos no modelo “5COE”, que pode ser usado na classificação das várias instituições de ensino – os outros 4 componentes são: serviços de aprendizagem aberta (open learning services), receptividade às necessidades dos aprendentes (open to learners needs), abertura a empregabilidade e ao desenvolvimento de capacidades (open to employability and capabilities development) e flexibilidade de métodos de ensino (open teaching efforts)5.

Além dos benefícios indicados previamente, a educação aberta apresenta outras vantagens relativamente à educação presencial, como promover o desenvolvimento das competências digitais através do uso de fóruns, blogues, trabalhos em formato Wiki, etc. Ao envolver um número mais elevado de estudantes, a educação aberta oferece um ambiente propício à elaboração de trabalhos envolvendo um maior número de alunos (co-criação) e permite reunir uma maior quantidade e diversidade de perspectivas (maior envolvência de pessoas de diferentes culturas e nacionalidades)6. Neste sentido, a educação aberta permite ultrapassar diversas barreiras na educação, sejam elas relativas à etnia, cultura, classe social, etc. dos participantes.

Tendo participado em discussões em vários fóruns, concluo que esta partilha de ideias e opiniões tem na maior parte das vezes muito mais qualidade que uma discussão síncrona de pessoas no mesmo espaço físico. O contexto nesta última situação não permite que os intervenientes tenham tanto tempo para reflectir sobre as ideias apresentadas, nem para ler um pouco mais sobre as mesmas antes de expressar a sua opinião. Contudo, é inegável que a componente social do ensino presencial é bastante apelativa para muitas pessoas e esta é praticamente inexistente na educação aberta, em que apesar do maior número de participantes, cada um aprende num enquadramento mais individualista. A partilha de vídeos e recursos interessantes que ocorre frequentemente na educação aberta pode tornar a aprendizagem sobre determinado assunto bastante mais estimulante que ouvir um professor discorrer sobre determinado tema. Mas atenção: isso depende dos recursos e dos professores! Na minha opinião podemos ter ambientes de aprendizagem bastante estimulantes em qualquer um dos casos – educação aberta ou presencial.

Vídeo Resumo:

Educação Aberta vs Educação Presencial

Bibliografia:

1.           Bornstein, David. Open Education for a Global Economy. https://opinionator.blogs.nytimes.com/2012/07/11/open-education-for-a-global-economy/ (2012).

2.           University Admissions in Canada. Open and Distance Universities in Canada. https://universityadmissions.ca/open-distance-universities-in-canada/.

3.           Tobin, Daniel. Ten Advantages of Face-to-Face Instructor-Led Training. https://www.linkedin.com/pulse/ten-advantages-face-to-face-instructor-led-training-daniel-tobin (2017).

4.           David Wiley. TLT Symposium 2009: David Wiley’s keynote on Open Education. https://www.youtube.com/watch?v=VcRctjvIeyQ (2009).

5.           Mulder, Fred. Open(ing up) Education: OCW, OER, MOOCs in a conventional world — what’s up in Europe? (2013).

6.           Campbell, Lorna M. The Benefits of Open Education and OER. http://lornamcampbell.org/higher-education/the-benefits-of-open-education-and-oer/ (2017).

Nota: ordem dos elementos bibliográficos de acordo com as regras da revista Nature.

Educação e Sociedade em Rede

A Rede como Interface Educativo (I)

Equipa Omega

No âmbito da Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede do Mestrado Pedagogia do eLearning foi solicitado aos alunos que na modalidade de grupos devidamente organizados, elaborassem uma recensão crítica relativamente à análise de três vídeos de Mike Wesch, nomeadamente, “A Vision of Students Today” (2007), “An Anthropological Introduction to YouTube” (2008) e “Web 2.0… The Machine is Us/ing Us” (2016), disponibilizados pelo professor António Teixeira.

Contextualização

“A Vision of students today” (2007) tem como pilar um documento editável (A vision of students today) colocado online pelo professor e antropólogo Mike Wesch. O vídeo é uma compilação de um inquérito realizado por 200 alunos, responsáveis pela respetiva edição. Na visualização podemos observar as diferentes mensagens, resultantes do inquérito realizado, acerca do modo de aprendizagem, que tipo de aprendizagem e a sua pertinência, os sonhos e as expectativas, os medos e inseguranças. “If these walls could talk” é o mote de partida.

Relativamente ao vídeo “An Anthropological introduction to Youtube” (2008) trata-se da intervenção feita por Mike Wesch no Library Congress em maio de 2008. A sua intervenção foi baseada num dos estudos antropológicos de observação participativa do autor acerca da rede social Youtube e a sua utilização. Aborda-se o “nascer” da rede e o seu desenvolvimento. No decorrer do vídeo o autor aborda o papel das webcams, e este sentido de “comunidade YouTuber” com os Vlogs e Vloggers, analisando também os riscos de ausência de autenticidade numa plataforma deste tipo.

Ainda do mesmo autor, o vídeo “Web 2.0… The Machine is Us/ing Us” (2016) aborda a evolução do texto escrito até ao texto digital. A criação e o desenvolvimento do HTML e do XML, em que no primeiro o conteúdo e a forma estão sempre associados e no segundo é possível separá-los (texto digital), permitindo exportar os dados sem restrições de formatação. Michael Wesch refere que a troca de dados é, deste modo, mais fácil e não requer que os utilizadores tenham de saber programação para poder participar neste processo, sendo nossa responsabilidade enquanto participantes na rede a organização de todos estes dados, criando a “Máquina” – “the machine is us”. O autor faz ainda referência à problemática das identidades, direitos de autor, ética, estética e retórica no mundo virtual.

Como referimos, na breve descrição dos vídeos em análise, “If these walls talk” é o mote de partida e, é assim que pretendemos começar.

Numa sala de aula vazia a frase “if these walls could talk” numa parede diz-nos muitas coisas. A comunidade escolar, objeto de estudo, encontra-se assim. Vazia. O objetivo destes estudantes é mesmo esse. Mostrar o vazio, o desenquadramento, o desencontro nos métodos e práticas de ensino dos dias de hoje. Não procuramos culpados. Não é esse o objetivo. O objetivo é alertar consciências. Quando se pergunta, “e se as paredes falassem”, falariam de teorias debitadas, como se de um soneto se tratasse para alunos que nem tão pouco sabem o que é um soneto, pois a poesia deles são os emojis e as fotos em resposta nos chats de conversação. Numa das muitas entrevistas a Castells, ele é muito claro: não é possível continuar com o mesmo método de há 20 anos atrás. Os alunos estão informados. E se não estão, procuram logo a resposta no caso de duvidar. Essa informação chega-lhes através da comunidade em rede, onde toda a informação está disponível online. Muitos professores proíbem o uso de telemóvel ou o acesso à internet na sala de aula. Desengane-se aquele que possa pensar que esta prática pretende o melhoramento da aquisição de conhecimentos. A verdade é que tudo está ao alcance de um “click”. Cabe à comunidade educacional crescer ao mesmo tempo que a era tecnológica cresce. Não está a natureza em constante metamorfose? Não são os alunos que se têm que adaptar à educação. É educação que tem que se adaptar aos alunos. E isso significar quebrar tradições, quebrar regras e formar cidadãos. Nem que seja para viver nas hiper-realidades e simulacros (Baudrillard 1981).

As mensagens que nos chegam durante a visualização, são mensagens de desespero. Dedicar horas a uma unidade curricular, assente em teoria, muitas das vezes desatualizada, os elevados custos associados a propinas, manuais, alojamentos onde a prática pouco ou nada é lembrado é por si só criar máquinas.

Virilio, na sua visão pessimista do avanço da tecnologia, diz-nos que criamos máquinas que nos vão destruir. Neste ponto, não poderia estar mais de acordo. A comunidade educativa cria máquinas humanas sem dote pensativo. São transmitidas matérias sem interesse ou relevância. Há uma impessoalidade nefasta na relação entre emissor e recetor que não tem justificação. Todos estes fatores afastam e desesperam os estudantes.

É a desmotivação que dispara o uso das redes sociais. Estas, não se limitam à pesquisa ou partilha. Mais do que isso: são meios de comunicação online e, por isso, Michael Wesch tem como objectivo reflectir, no vídeo “An Anthropological Introduction to YouTube” (2008), sobre as relações humanas e sua interação existente na plataforma YouTube.

A evolução da plataforma YouTube está muito relacionada com a procura do saber mais. E é determinante a forma com que o conteúdo chega ao recetor. A preocupação em conjugar conteúdo a imagem e som numa só tela mostra que apesar de máquinas, sabemos que conjugar sentidos – visão e audição – traz resultados mais relevantes na assimilação de conhecimento.

Michael Wesch faz reflexões profundas acerca das consequências resultantes da comunicação através deste tipo de plataformas (comunicação a distância), mencionando a nossa tendência para expressar o individualismo, dependência e comercialização, quando desejamos pertencer a uma comunidade, estabelecer relações e almejamos a autenticidade. Com a possibilidade de partilharmos um vídeo e ser vistos em qualquer parte do mundo e por um grande número de pessoas, é evidente a questão de ausência de autenticidade. Alguns criam personagens que nada têm a ver consigo com o único objectivo de ter mais visualizações. Os utilizadores do YouTube, são neste espaço aquilo que deixam transparecer. Neste vídeo são ainda feitas algumas considerações acerca das limitações das relações a distância, em oposição a relações presenciais, sendo feita referência a uma interessante afirmação de Robert Putnam: “My hunch is that meeting in an electronic forum is not the equivalent of meeting in a bowling alley”, que pode ler-se no seu livro Bowling Alone: The Collapse and Revival of American Community.

É bastante interessante a construção frásica do título do último vídeo em análise, “The machine is Us/ing Us”, que quase poderia terminar esta análise, reflectindo que o ser humano é o criador desta “Máquina”, a rede.

A busca de sabedoria e do saber fazer, estimula também a partilha de conhecimento. Por isso, os conteúdos em formato digital tendem a ter cada vez mais qualidade, à medida que vão surgindo melhores ferramentas.

Até ao momento o foco é o boom da era tecnológica que revoluciona a comunidade educacional com a intervenção da cibercultura e do seu inseparável ciberespaço. Importa referir que, assim como focamos as grandes vantagens no caso de uma mudança, assumimos preocupações. Os perigos dos direitos autor, a ausência de identidade e autenticidade levam-nos a crer que há também uma componente negativa na tecnologia.

A tecnologia e a “máquina” referida no vídeo de Michael Wesch foram criadas pelo Homem e o seu propósito será sempre a comunicação.

Referências

Baudrillard, J. (1991). Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio D’água.

Castells, M. (2003). Escola e internet: o mundo da aprendizagem dos jovens. Conferencista do Fronteiras do Pensamento. (2003)

https://www.youtube.com/watch?v=J4UUM2E_yFo

Wesch, M. (2007a). Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us.

https://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE&feature=channel

Wesch, M. (2007b). A Vision of Students Today.

https://www.youtube.com/watch?v=dGCJ46vyR9o

Wesch, M. (2008). An anthropological introduction to YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=TPAO-lZ4_hU&feature=channel_page

Mesquita. J. Como se faz uma Recensão Crítica.

Click to access Como%20se%20faz%20uma%20Recens%C3%A3o%20Cr%C3%ADtica.pdf

Putnam. R. Bowling Alone: The Collapse and Revival of American Community. 2000.

Comentário ao video “An Anthropological Introduction to YouTube”:

“An Anthropological Introduction to YouTube” consists of a presentation given by Michael Wesch at the Library Congress, on June 23rd, in the year of 2008. He addresses the video-sharing platform YouTube and its community, based on anthropological studies of participant observation performed by him and his students from Kansas State University. The lecture was focused on the birth of this social network and its development over the first few years, after being launched in 2005. During the video, the author discusses the role of webcams and what it means to belong to this “YouTube community”, which seems to communicate through Vlogs, analyzing the risks of loss of authenticity associated with this type of platforms.

The author asserts that the isolation triggers the use of social media. YouTube is not limited to research or sharing knowledge. More than that: it is a way of communication, offering a possibility to create relationships with people from all over the world, through videos recorded with webcams in our own bedrooms. Michael Wesch aims to reflect about these human relations and their interaction on the YouTube network.

The evolution of the YouTube platform is closely related to the quest for more knowledge. And how the content reaches the receiver is crucial. Combining content with image and sound on a single screen shows that we know that by combining senses – vision and hearing – we can obtain better results regarding the assimilation of information.

Michael Wesch reflects deeply on the consequences resulting from communication through this type of platforms (distance communication), mentioning our tendency to express individualism, dependence and commercialization when, as a matter of fact, we desire to belong to a community, establish relationships and aim for authenticity. With the possibility of sharing a video and being seen anywhere in the world and by a large number of people, the question of lack of authenticity is evident. Some create characters that have nothing to do with themselves for the sole purpose of having more views. YouTube users are what they choose to show during the videos. Throughout the lecture, some considerations are made about the limitations of distance relationships, as opposed to face-to-face relationships, with reference to an interesting statement by Robert Putnam: “My hunch is that meeting in an electronic forum is not the equivalent of meeting in a bowling alley”, which can be read in his book Bowling Alone: ​​The Collapse and Revival of American Community.

Educação e Sociedade em Rede

Autenticidade e Transparência na Rede

Foto por fotografierende

Para a rede, estes “chinese boys” são isso mesmo – rapazes chineses mestres na imitação de cantores conhecidos. Claro que na realidade são muito mais do que isso, mas o que são na rede é simplesmente aquilo que o vídeo deixa transparecer: rapazes com talento para a imitação (lip-syncing) e que têm um amigo que gosta bastante de estar no computador!

É também verdade que podemos encontrar pessoas na rede que são diferentes nesse mesmo espaço e na vida real. E é por vezes difícil saber se uma pessoa é transparente, por exemplo, nos vídeos que disponibiliza no YouTube, se não a conhecermos. E isto é o que acontece na maioria das interações nas redes como o YouTube, Twitch, Twitter, etc., ou seja: apenas conhecemos a pessoa virtualmente, a partir daquilo que ela própria desvenda através dos seus posts ou vídeos. E, numa perspectiva pessimista, pode acontecer que as ideias reveladas pelo utilizador através do conteúdo que envia para a rede sejam diferentes das suas verdadeiras ideias. Isto porque pode estar a fazê-lo simplesmente para aumentar a sua rede de seguidores ou porque, por exemplo, foi pago por terceiros para vender uma ideia aos seus subscritores do YouTube.

Por vezes, há falta de transparência das próprias marcas das redes sociais, e isso leva ao aumento da desconfiança por parte dos seus utilizadores. Após o escândalo relativo à venda de dados pessoais dos utilizadores por parte do Facebook à Cambridge Analytica, que usou essa informação para influenciar os internautas que navegassem nesta rede social com notícias específicas no sentido de alterar a sua opinião política, levando a que muitas destas votassem no candidato que viria a ganhar as eleições. Mark Zuckenberg, um dos fundadores do Facebook, anunciou em 2018 numa conferência que iam ser feitas algumas alterações na rede social relativamente aos anúncios e notícias apresentadas no feed de cada utilizador, com o intuito de aumentar a transparência. Algumas dessas actualizações já estão a funcionar, ao passo que outras estão ainda a ser preparadas. Apesar dos contratempos, é neste sentido que deve evoluir a Internet (e as redes sociais), de modo a que a transparência esteja cada vez mais presente numa rede que está cada vez mais dispersa.

Foto por Tracy Le Blanc

Numa era em que a informação está à distância de um clique e uma vez que podemos aceder à mesma praticamente a partir de qualquer ponto do mundo, é premente garantir a autenticidade da informação. Por um lado, deve ser feito um controlo por parte das pessoas que criam ou gerem as páginas da Internet ou as redes sociais, e por outro, deve haver um maior filtro e sentido crítico da parte dos internautas. As crianças devem ser ensinadas desde cedo a verificar a autenticidade e credibilidade daquilo que encontram na rede. Uma das formas de o fazer é pesquisando links associados à página em questão ou procurar informação dos autores que lemos usando ferramentas como o ProFusion e o Altavista, que nos fornecem dados “Meta-Web”, isto é, informações associadas a um certo website ou a um determinado autor (November, Alan. “Teaching Zack To Think”, 1995).

No caso do exemplo dado, o YouTube, também é feita uma certa validação por parte dos utilizadores, que interagem com os vídeos carregados através de um “gosto” ou “não gosto”, e que, combinando com um algoritmo do motor de pesquisa da rede social, faz com que os vídeos apareçam mais cedo ou mais tarde na lista originada pela pesquisa de palavras-chave. Este é um modo de dar relevância a conteúdos de maior qualidade com base na opinião dos utilizadores da plataforma. No entanto, este sistema é falível, uma vez que certos vídeos com pouca qualidade continuam a aparecer destacados, por apresentarem thumbnails (capa do vídeo) mais apelativas e que incitam os utilizadores a clicar e a ver um vídeo que acaba por se revelar pobre de conteúdo.

Apenas poderemos garantir que é feita uma adequada utilização da informação se os próprios viajantes na rede forem responsáveis e procurarem informação verdadeira e a autenticidade. A Internet é usada para diversos fins, como divertimento, bibliografia, estabelecimento de novas amizades, etc. A meu ver, o mais importante é haver uma educação, que começa nas escolas, promovendo a responsabilização e formação de pessoas íntegras no momento da criação de conteúdo e que sejam, por sua vez, capazes de avaliar a informação de modo reflexivo, enquanto receptores dos conteúdos disponíveis. Deverão sempre almejar uma boa aprendizagem – que só é possível através de fontes de informação com qualidade.

Materiais e Recursos para eLearning

REA 1

Creative ways to get kids to thrive in school – TED Talk de Olympia Della Flora

Link: https://www.ted.com/talks/olympia_della_flora_creative_ways_to_get_kids_to_thrive_in_school#t-6655

Foto de Naomi Shi

Escolhi esta TED Talk sobre como ajudar as crianças a prosperar na escola por várias razões. Primeiro, porque também trabalho com crianças e o grande desafio das aulas é sempre a componente emocional e os conflitos que por vezes se geram na sala de aula, e não os conteúdos programáticos em si. Contudo, podemos ser criativos também no modo como apresentamos os conteúdos, e o sucesso da aprendizagem depende inevitavelmente da qualidade da exposição e de como abordamos determinado assunto. Desta forma, quis aprender um pouco mais sobre como podemos ultrapassar estes obstáculos: se uma criança não estiver bem emocionalmente, não conseguirá aprender novas matérias eficientemente. Outra razão para a escolha foi o facto de ter consciência da qualidade das Ted Talks, além de serem interessantes e pedagógicas. Olympia Flora refere que o caso que expõe de uma criança com alguns problemas de adaptação ao ambiente escolar era algo para o qual os professores da escola onde é Directora não tinham recebido formação. Na verdade, são raros os professores que sabem lidar com este tipo de situações e é cada vez mais nítida a necessidade de preparar os professores para além do conhecimento necessário para a sua disciplina. Se não existir um ambiente de sala de aula tranquilo e propício à aprendizagem, é indiferente se o professor expõe ou não os conteúdos habilmente. Compreender a vertente psicológica dos educandos e como gerir/solucionar alguns dos seus problemas torna-se um elemento chave para os docentes. A conferencista fala ainda da parceria feita com a Universidade Estatal de Ohio, que permitiu que os alunos de Psicologia se reunissem com os professores da escola secundária no sentido de encontrar estratégias para ajudar os alunos com maiores lacunas emocionais. Não só os professores beneficiaram, tendo acesso às técnicas mais recentes da área da psicologia, mas também os alunos da Universidade, uma vez que foram confrontados com situações reais de sala de aula.

Este recurso em formato de vídeo pode ser reproduzido inúmeras vezes e pode ser visto com legendas em vários idiomas (23 línguas diferentes no total). Há ainda a possibilidade de fazer o download do vídeo, de o partilhar de diversas formas (redes sociais, correio electrónico, etc.).

Sendo um vídeo, não seria possível fazer uma adaptação neste caso. Relativamente ao texto/ encadeamento da palestra dada por Olympia Flora, parece-me bem estruturado e as conclusões são explícitas e ajustadas. Fiquei com curiosidade acerca dos números que comprovassem a melhoria do aluno mencionado na palestra. No entanto, porventura isso não aconteceu devido a razões éticas e de invasão da privacidade do aluno. Este recurso, juntamente com outros, poderão dar origem a novas ideias e, assim, a novos recursos sobre o tema.

O que aprendi com esta talk pode ser aplicado a alunos que revelem incapacidade de gerir as suas emoções, disponibilizando-lhes espaços específicos de transição entre o ambiente familiar e o ambiente escolar, com actividades que possam desenvolver, como fazer desenhos ou escrever num quadro. Outro método seria o de atribuir tarefas ao aluno, como ajudar crianças mais novas, brincando com elas ou ensinando-as a ler, algo que seria simultaneamente terapêutico para ele e proveitoso para as crianças mais novas.

REA 2

“Aprendizagem baseada em jogos, um caminho de gamificação na era da inteligência artificial” – Artigo de João Pinto e Teresa Cardoso, Laboratório de Educação a Distância e Elearning, LE@D

Link: https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/8896

Foto de Garrett Morrow

A escolha deste recurso educacional aberto (REA) deve-se, numa primeira instância, ao facto de ser um artigo proveniente da Universidade Aberta, à qual pertence o Mestrado em Pedagogia do eLearning, e ao qual se deve a realização deste trabalho. Por que não aprender com alguém que pertence a esta Universidade?

A segunda razão reside no gosto que tenho por alguns jogos e por concordar que a aprendizagem através destes é uma abordagem com enorme potencial mas que necessita ainda de muito estudo e investimento. Por exemplo, David Wiley conseguiu, ao transformar o formato de uma das suas disciplinas num jogo, em que cada grupo de alunos tinha a função de um personagem, motivar fortemente os estudantes a trabalhar e a obter bons resultados. Não consistiu numa aprendizagem através de um jogo directamente, mas ao alterar o conceito da disciplina num jogo inspirado em massive multiplayer online role-playing games, conseguiu que a aprendizagem dos conteúdos da sua disciplina fosse triunfante. Com tantas pessoas a jogar jogos nos tempos que correm, principalmente online, podemos usar os jogos em contexto de sala de aula no sentido de, como é referido no artigo, envolver mais os alunos na aprendizagem e permitir que, além de aprenderem mais, tirem mais prazer do processo de aprendizagem.

A escolha deste recurso deveu-se também à recenticidade do artigo, estando bastante actualizado, uma vez que é deste ano (2019).

O desenvolvimento cognitivo subjacente aos jogos é significativo. No meu caso, acredito que pelo facto de ter jogado Pokémon na minha infância, adquiri algumas capacidades que se revelaram essenciais na minha vida. Por um lado, tendo decorado mais de 150 nomes diferentes de criaturas do jogo, melhorei a minha capacidade de memorização. Além disso, sendo o jogo em inglês, contribuiu para melhorar a escrita e o meu vocabulário nesta língua. Esta aprendizagem foi voluntária e prazerosa, e talvez seja essa a explicação para a sua eficácia.

O artigo fala-nos da inteligência artificial aplicada a jogos com propósitos educacionais – Game-based and Learning. Estes jogos utilizam o impacto motivacional de recompensas e prémios, que são ajustados de acordo com o perfil do jogador/aprendente. A utilização pedagógica da inteligência artificial pressupõe que esta seja usada com o intuito de “acompanhar, conhecer e orientar o jogador” (Pinto, João and Cardoso, Teresa, 2019). Concordo com o ponto de vista dos autores, quando concluem que a gamificação da aprendizagem é inevitável, tendo em conta que as tecnologias e os jogos estão cada vez  mais presentes na vida das pessoas e, por isso, haverá também uma tendência natural para que estes sejam cada vez mais utilizados na transmissão/aquisição de conhecimentos.

Este artigo incentiva o uso dos jogos na aprendizagem. Cabe aos professores e formadores encontrar, possivelmente em conjunto com informáticos e programadores, aplicações adequadas às suas disciplinas e que permitam que alguns conhecimentos sejam retidos pelos aprendentes com maior profundidade, devido a uma maior motivação subjacente.

O recurso supramencionado é transferível em formato PDF e pode ser partilhado de diferentes modos. É ainda possível fazer comentários ao artigo e enviá-los para os autores. Não é possível alterar o artigo original, mas este pode complementar outros recursos e poderá ser usado para produzir novos documentos acerca da aprendizagem através do uso da tecnologias ou de jogos.

Materiais e Recursos para eLearning

Fontes/Repositórios de Recursos Educacionais Abertos

Open Book Pages on Surface
  • OER Commons Curated Collections

Nesta secção do site da “OER Commons”, uma biblioteca digital de recursos educacionais abertos, podemos ler artigos dos mais variados temas desde livros de texto sobre áreas específicas, a aprendizagens relativas à jardinagem ou mesmo sobre civilizações antigas.

É visível a preocupação por disponibilizar apenas recursos de elevada qualidade, passíveis de consulta a partir de qualquer parte do mundo, isto é, em conformidade com a definição de recursos educacionais abertos.

Há ainda a possibilidade de escolher a língua em que os conteúdos estão escritos. Nos livros de texto – “Education Textbooks” -, por exemplo, podemos escolher livros escritos em português (além da língua inglesa, francesa, russa e espanhola). Podemos igualmente escolher o nível dos recursos que queremos pesquisar: pré-primária, secundário, ensino superior, entre outros. É ainda possível pesquisar o artigo por tema e por tipo de material: ilustração, texto, palestra, etc.

Link: https://www.oercommons.org/curated-collections

  • Lumen Learning

Com o lema “todos os estudantes merecem experienciar a alegria da aprendizagem”, esta é uma instituição que partilha livros de texto sem qualquer custo para os seus alunos. Não me foi possível saber qual o preço destes cursos, mas são, segundo o que referem, “cursos acessíveis”.

Apesar de não ser uma opção completamente isenta de custos, decidi manter a escolha deste link, uma vez que conheço as limitações dos recursos educacionais abertos a nível da sustentabilidade. Se começarmos por reduzir substancialmente os custos de acesso ao ensino superior, como acontece na Lumen Learning, já estaremos porventura a quebrar uma barreira para uma boa parte de pessoas.

Link: https://lumenlearning.com/

  • Teach Astronomy

Neste site podemos explorar alguns materiais de suplemento a cursos de astronomia ou mesmo para “curiosos informais”.

Sendo professor de Físico-Química e um fã da série Cosmos: A Spacetime Odyssey (2014), narrada pelo físico Neil deGrasse Tyson, considero o Teach Astronomy uma fonte de recursos bastante interessante. A série referida consiste numa versão recente da série original de 1980, escrita e narrada por Carl Sagan, considerado um dos mais influentes cientistas/astrónomos da história.

O facto de o Teach Astronomy ser um local mais especializado e focado numa certo tópico – Astronomia – é uma desvantagem. Contudo, apresenta recursos abertos em diversos formatos: livros de texto, vídeos, podcasts, etc., que permitem uma aprendizagem mais versátil sobre o tema. É possível fazer uma pesquisa por “palavras-chave” e ainda ler notícias actualizadas diariamente sobre eventos, descobertas e outros assuntos do mundo da Astronomia.

Link: https://www.teachastronomy.com/


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